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Automedicação: o barato que sai caro e
pode ser perigoso
Desperdício de dinheiro e efeitos danosos à
saúde são alguns dos resultados
São Paulo, fevereiro de 2003. Apesar de saber
que é perigoso ingerir remédios com base na
indicação do balconista da farmácia, de
amigos, ou achando que os sintomas são de uma doença
que conhece ou já teve, muitas pessoas ainda recorrem a
automedicação, para economizar a consulta médica
e o exame diagnóstico. Porém, em geral, essa
conduta sai mais cara. Os remédios podem agravar doenças,
mascarar sintomas, ter efeitos colaterais danosos, ou no mínimo,
servir para nada.
Existem pessoas que fazem uso de medicamentos que sobraram,
sem ter certeza de que se trata da mesma doença. Outras
não sabem que a indicação do balconista,
ou de amigos, pode induzir à compra de medicamentos sem
garantia de qualidade. Outras ainda com uma única
receita médica, no mesmo dia, compram várias
vezes o mesmo remédio e o consome indiscriminadamente.
O dr. Abrão José Cury Jr, presidente da
Regional São Paulo da Sociedade Brasileira de Clínica
Médica, médico assistente da Universidade
Federal de São Paulo e cardiologista do Hospital do
Coração, dá exemplos de medicamentos freqüentemente
consumidos sem indicação médica e mostra
os perigos.
Laxante - Quando consumido indiscriminadamente pode
levar a alterações intestinais. Se a pessoa
estiver constipada (intestino preso), complica o quadro e pode
levar à perfuração do intestino. Nos
idosos, pode provocar desidratação e alterações
metabólicas, colocando a vida em risco. Pessoas com
tumor intestinal, em geral não diagnosticado, podem
agravar a doença.
Xarope - A tosse pode ter várias causas, como
infecção viral ou bacteriana, alergia, refluxo
da hérnia de hiato e câncer das vias respiratórias.
O xarope pode mascarar o sintoma, permitindo que a doença
evolua sem controle, pode piorar o problema ou não ter
efeito algum.
Antibiótico - Droga usada para tratar várias
infecções, como as respiratórias, gripes
e abscessos. Mesmo que a pessoa acerte na escolha, ao comprar
sem indicação médica, pode errar no tipo
e na dosagem, levando ao tratamento errado. Além disso,
o indivíduo pode desenvolver resistência à
droga e quando for realmente necessária, não terá
efeito.
Antiácido - Muito usado para combater dor de
estômago, que pode ser sintoma de úlcera, tumor,
pancreatite e até de infarto do miocárdio. O uso
inadequado pode retardar o diagnóstico, comprometer o
tratamento e expor ao risco de morte.
Aspirina - Reconhecida como droga que previne o
infarto, só pode ser consumida com indicação
médica, mesmo no controle de outras doenças,
porque tem efeitos colaterais importantes, podendo provocar
problemas de estômago e hemorragias. Pode ser fatal se
usada para combater a dengue.
Colírio - Sem indicação médica,
a única coisa que se pode passar nos olhos é água
limpa. Os colírios têm princípios ativos
variados, como corticóides e antibióticos, podem
mascarar ou exacerbar doenças e se a pessoa tiver
problemas prévios, como glaucoma, pode agravá-los.
Cremes e pomadas - Muitas pessoas cometem o erro de
achar que existem cremes e pomadas que tratam tudo, o que está
errado porque cada um tem uma indicação
adequada. O uso indiscriminado pode mascarar doenças,
como câncer de pele, pode provocar dermatite de contato,
ou pode não ter efeito.
Remédios naturais - Todos os medicamentos,
sem exceção, têm efeitos colaterais e
podem provocar riscos à saúde.
Vitaminas - Só devem ser tomadas quando há
uma real necessidade até porque algumas, dependendo da
dose, podem provocar doenças. A vitamina C, por
exemplo, provoca distúrbios gastrointestinais e cálculo
renal. A vitamina A, quando consumida por crianças,
pode provocar hipertensão craniana.
Suplementos alimentares - Podem ter efeitos tóxicos,
ou não fazer nada. Estudos em andamento, relacionam os
suplementos com o desenvolvimento de arritmias cardíacas
e com morte súbita.
Casamento de remédios - Algumas pessoas, ao
acharem que estão com gripe, por exemplo, ingerem
xarope para a tosse, que piora a secreção
pulmonar, descongestionante nasal, que nos casos de sinusite e
pneumonia piora o quadro, e injeções à
base de eucalipto, absolutamente inúteis. Além
disso, tudo junto pode provocar reações alérgicas
e até choque anafilático.
"É importante que as pessoas saibam cuidar
melhor da saúde, conheçam o risco da automedicação,
valorizem mais o conhecimento médico e o ideal é
que todos os medicamentos sejam vendidos apenas com retenção
de receita", finaliza o dr. Abrão José Cury
Jr.
Fonte: Dr. Abrão
José Cury Jr.
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