|

Expectativas Futuras no Tratamento de
Insuficiência Cardíaca com a Cirurgia Cardíaca
Dr.
Jarbas J. Dinkhuysen
A medicina atual busca identificar precocemente as pessoas
com problemas cardíacos, que submetidas a medidas terapêuticas
adequadas, podem ter o processo de deterioração
cardíaca interrompido e, com isso, não se
tornarem candidatas a um transplante cardíaco. A
despeito de tudo, existem razões para otimismo, tendo
em vista os excelentes resultados obtidos com o transplante,
cujas variáveis cada vez mais a ciência se
aprofunda e conhece.
Como são tratados os problemas de insuficiência
cardíaca?
A ciência desenvolveu as bombas para assistência
circulatória que, ligadas ao coração,
auxiliam o órgão a impulsionar o sangue, e os
desfibriladores que, por meio de uma descarga elétrica
ao coração, resgatam os seus batimentos normais
durante uma arritmia grave. Esses aparelhos são
implantados ao organismo por longos períodos e até
mesmo anos; o paciente vive normalmente, podendo passear,
trabalhar e até mesmo viajar.
Outras bombas mais simples são usadas mais
indiscriminadamente em casos de emergências para ajudar
o coração por períodos menores, no máximo
de 1 a 2 semanas, que muitas vezes é o tempo necessário
para o coração recuperar-se e normalizar a sua
função, ou surgir um doador para que possa ser
realizado o transplante.
Outros dispositivos mais sofisticados já estão
sendo empregados há algum tempo. São os chamados
ventrículos artificiais implantáveis, movidos
por uma bateria que o paciente carrega na cintura, dando-lhe
uma condição física próxima a de
uma pessoa normal. O que se tem observado é que boa
parte desses pacientes adaptam-se tão bem a ponto de
preferir ficar com o aparelho a ser submetido a um transplante
cardíaco. No Brasil, um desses ventrículos
artificias foi implantado recentemente, mas o seu uso é
extremamente limitado pelos custos altíssimos que as
nossas Instituições de Saúde não
tem condições de arcar.
O que tem sido feito no Brasil para corrigir esses
problemas?
O Instituto do Coração da Faculdade de
Medicina da Universidade de São Paulo (F.M.U.S.P.)
desenvolveu um ventrículo artificial para aplicação
intrahospitalar e que já foi aplicado em alguns casos.
Funciona como ponte para transplante, ou seja, um suporte
circulatório mecânico que estabiliza quadros
graves de insuficiência cardíaca, permitindo ao
paciente aguardar um doador compatível. O Instituto
Dante Pazzanese de Cardiologia está desenvolvendo um
ventrículo artificial implantável e foram
realizados com sucesso alguns implantes em animais.
Quais são os avanços da medicina no
transplante de coração?
Nestes últimos 20 anos, ocorreu significativa
melhora nos resultados dos transplantes cardíacos, não
só a curto mas também a longo prazo, e muitas
pessoas estão se beneficiando. A ciência médica
tem conseguido grandes avanços no diagnóstico da
rejeição ao órgão transplantado
com a criação de novos métodos. As
pesquisas enfocando o problema dos bloqueios de circulação
coronária logo trarão mais elucidações.
Quais são as dificuldades da aplicação
do transplante cardíaco?
A escassez de doadores limita a aplicação
indiscriminada dessa terapêutica, havendo a necessidade
de promover ações que propiciem o aumento do número
de doadores para que maior números de pessoas sejam
beneficiadas. Estima-se que de 20 a 40% dos pacientes em fase
de espera de doador compatível faleçam. As
causas desses óbitos estão geralmente
relacionadas à falência circulatória
progressiva ou à morte súbita devido a distúrbios
graves do ritmo cardíaco. Estudos estão sendo
desenvolvidos para transplantar o coração de um
animal geneticamente preparado para o homem (xenotransplante),
solucionando em definitivo a questão de escassez de
doador.
Quais são as novas técnicas cirúrgicas
que estão sendo desenvolvidas?
Uma delas a cardiomioplastia, que consta em envolver o coração
com um músculo do tórax (grande dorsal) e
estimular suas contrações com um marcapasso que
acompanhe os batimentos cardíacos para ajudar o órgão
doente a impulsionar o sangue. Alguns serviços no
Brasil possuem boa experiência com essa técnica,
ficando demostrado que é aplicável a pacientes
selecionados e não é de uso indiscriminado em
portadores de insuficiência cardíaca.
Outra proposta recentemente feita pelo cirurgião
brasileiro Dr. Randas B.Vilela é remoção
de um pedaço do músculo cardíaco para
diminuir o seu tamanho e restituir maior vigor contrátil
ao coração, melhorando assim os sintomas de
insuficiência cardíaca. Trata-se um método
ainda em estudo e a sua maior dificuldade é saber
previamente quais os pacientes que mais se beneficiariam com
esse procedimento, tendo em vista os resultados obtidos não
apresentarem uniformidade.
A simples correção de um mau funcionamento de
uma das válvulas do coração (insuficiência
mitral), que invariavelmente está presente nos quadros
de insuficiência cardíaca, é uma das
propostas cirúrgicas mais recentes e a experiência
clínica ainda é pequena para se ter uma idéia
mais abalizada. Outra proposta é a estimulação
bifocal com auxílio de marcapasso, indicado para alguns
pacientes.
Por fim, já está sendo demonstrado que o
cirurgião cardíaco, através de variadas técnicas,
tem condições de recuperar aqueles corações
que tiveram infarto e desenvolveram cicatrizes que dificultam
o seu bom funcionamento. São os chamados aneurismas de
coração que hoje não mais constituem
problemas tendo em vista os bons resultados obtidos com o
tratamento cirúrgico.
São Paulo, março de 2000.
Temas relacionados:
Obesidade por Dr.
Alfredo Halpern
Sedentarismo por
Dr. Turíbio Leite Barros Neto
Aterosclerose por
Dr. Marcelo Chiara Bertolami
Colesterol Alto
por Dr. Marcelo Chiara Bertolami
Hipertensão
Arterial por Prof. Dr. Celso Ferreira
Transplante de Coração
por Dr. Jarbas J. Dinkhuysen
[voltar]
[voltar]
[topo]
Atenção:
As informações contidas neste site têm caráter
informativo e não devem ser utilizadas para realizar
auto-diagnóstico, auto-tratamento ou auto-medicação.
Em caso de dúvidas, consulte o seu médico.
Proibida a reprodução, distribuição
ou publicação, parcial ou total, do conteúdo deste
site estando o infrator sujeito às sanções legais
cabíveis.
|