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Sedentarismo
Dr. Turíbio
Leite Barros Neto
O sedentarismo já é considerado a doença
do próximo milênio. Na verdade trata-se de um
comportamento induzido por hábitos decorrentes dos
confortos da vida moderna. Com a evolução da
tecnologia e a tendência cada vez maior de substituição
das atividades ocupacionais que demandam gasto energético
por facilidades automatizadas, o ser humano adota cada vez
mais a lei do menor esforço reduzindo assim o consumo
energético de seu corpo.
O que é o
sedentarismo?
Quais são as
conseqüências do sedentarismo?
Quais as doenças
associadas à vida sedentária?
Como deixar de ser
sedentário?
Quais são as
alternativas às atividades físicas esportivas?
Quais são as
contra-indicações para fazer exercícios?
Quais são as
recomendações básicas para fazer exercícios
com segurança?
Praticando exercícios
com maior segurança e efetividade
Bibliografia
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O que é o sedentarismo?
O sedentarismo é definido como a falta ou a grande
diminuição da atividade física. Na
realidade, o conceito não é associado
necessariamente à falta de uma atividade esportiva. Do
ponto de vista da Medicina Moderna, o sedentário é
o indivíduo que gasta poucas calorias por semana com
atividades ocupacionais. Segundo um trabalho realizado com
ex-alunos da Universidade de Harvard, o gasto calórico
semanal define se o indivíduo é sedentário
ou ativo. Para deixar de fazer parte do grupo dos sedentários
o indivíduo precisa gastar no mínimo 2.200
calorias por semana em atividades físicas.
[sobe]
Quais são as conseqüências
do sedentarismo?
A vida sedentária provoca literalmente o desuso dos
sistemas funcionais. O aparelho locomotor e os demais órgãos
e sistemas solicitados durante as diferentes formas de
atividade física entram em um processo de regressão
funcional, caracterizando, no caso dos músculos esqueléticos,
um fenômeno associado à atrofia das fibras
musculares, à perda da flexibilidade articular, além
do comprometimento funcional de vários órgãos.
[sobe]
Quais as doenças associadas
à vida sedentária?
O sedentarismo é a principal causa do aumento da
incidência de várias doenças. Hipertensão
arterial, diabetes, obesidade, ansiedade, aumento do
colesterol, infarto do miocárdio são alguns dos
exemplos das doenças às quais o indivíduo
sedentário se expõe. O sedentarismo é
considerado o principal fator de risco para a morte súbita,
estando na maioria das vezes associado direta ou indiretamente
às causas ou ao agravamento da grande maioria das doenças.
[sobe]
Como deixar de ser sedentário?
Para atingir o mínimo de atividade física
semanal, existem várias propostas que podem ser
adotadas de acordo com as possibilidades ou conveniências
de cada um:
- Praticar atividades esportivas como andar, correr,
pedalar, nadar, fazer ginástica, exercícios
com pesos ou jogar bola é uma proposta válida
para evitar o sedentarismo e importante para melhorar a
qualidade de vida. Recomenda-se a realização
de exercícios físicos de intensidade moderada
durante 40 a 60 minutos de 3 a 5 vezes por semana;
- Exercer as atividades físicas necessárias à
vida cotidiana de maneira consciente.
[sobe]
Quais são as alternativas às
atividades físicas esportivas?
A vida nos grandes centros urbanos com a sua automatização
progressiva, além de induzir o indivíduo a
gastar menos energia, geralmente impõe grandes
dificuldades para ele encontrar tempo e locais disponíveis
para a prática das atividades físicas espontâneas.
A própria falta de segurança urbana acaba sendo
um obstáculo para quem pretende fazer atividades físicas.
Diante dessas limitações, tornar-se ativo pode
ser uma tarefa mais difícil, porém não de
todo impossível.
As alternativas disponíveis muitas vezes estão
ao alcance do cidadão porém passam
desapercebidas.
Aumentar o gasto calórico semanal pode se tornar possível,
simplesmente reagindo aos confortos da vida moderna. Subir 2
ou 3 andares de escada ao chegar em casa ou no trabalho,
dispensar o interfone e o controle remoto, estacionar o automóvel
intencionalmente num local mais distante, dispensar a escada
rolante no shopping-center, são algumas alternativas
que podem compor uma mudança de hábitos.
Segundo trabalhos científicos recentes, praticar
atividades físicas por um período mínimo
de 30 minutos diariamente, contínuos ou acumulados, é
a dose suficiente para prevenir doenças e melhorar a
qualidade de vida.
[sobe]
Quais são as contra-indicações
para fazer exercícios?
A liberação plena para a prática de
atividades físicas, particularmente as atividades
competitivas e de maior intensidade, deve partir do médico.
Nesses casos, um exame médico e eventualmente um teste
ergométrico podem e devem ser recomendados. Indivíduos
portadores de hipertensão, diabetes, coronariopatias,
doenças vasculares etc. devem ser adequadamente
avaliados pelo clínico não somente quanto à
liberação para a prática de exercícios,
como também quanto à indicação do
exercício adequado como parte do tratamento da doença.
Quando se trata de praticar exercícios moderados como a
caminhada, raramente existirá uma contra-indicação
médica, com exceção de casos de limitação
funcional grave.
[sobe]
Quais são as recomendações
básicas para fazer exercícios com segurança?
A principal recomendação é seguir o bom
senso e praticar exercícios como um hábito de
vida e não como quem toma um remédio amargo. A
principal orientação é fazer exercícios
com prazer, sentindo bem-estar antes, durante e principalmente
depois da atividade física. Qualquer desconforto
sentido durante ou depois de exercícios deve ser
adequadamente avaliado por um profissional da especialidade. O
exercício não precisa e não deve ser
exaustivo se o propósito for a saúde.
[sobe]
Praticando exercícios com
maior segurança e efetividade:
- Usar roupas adequadas: A função da
roupa durante o exercício é proporcionar proteção
e conforto térmico. Agasalhos que provocam aumento
excessivo da sudorese devem ser evitados porque provocam
desconforto e desidratação, não
exercendo nenhum efeito positivo sobre a perda de peso.
- Hidratar-se adequadamente: Deve-se ingerir líquidos
antes, durante e depois de exercícios. A perda
excessiva de líquidos e a desidratação
constituem a principal causa de mal-estar durante o exercício.
- Sentir bem-estar: Escolha a modalidade e
sobretudo a intensidade de exercício que traga prazer
e boa tolerância. Ao fazer exercícios
prolongados ajuste a intensidade que permita sua comunicação
verbal sem que a respiração ofegante
prejudique sua fala. Esta é uma forma prática
de ajustar uma intensidade adequada.
- Consulte seu médico: Qualquer dúvida
ou desconforto procure orientaçãoprofissional.
Realizar uma avaliação física para
elaboração de um programa de treinamento será
uma atitude de grande utilidade prática. Não
se deixe levar por propagandas muitas vezes enganosas
prometendo resultados milagrosos com outros recursos
recomendados para substituir os benefícios do exercício
ativo.
A atividade física regular e realizada com prazer é
um recurso insubstituível na promoção de
saúde e qualidade de vida.
[sobe]
Bibliografia:
Guidelines for Exercise Testing and Prescription. 3ª
ed. Lea & Febiger, USA, 1986.
McArdle, W.D.; Katch, F.I.; Katch, V. Fisiologia do Exercício,
Energia , Nutrição e Desempenho Humano. - 3ª
edição. Guanabara Koogan, 1998.
Nabil Ghorayeb & Turibio Barros - O exercício -
Preparação Fisiológica, Avaliação
Médica - Aspéctos Especiais e Preventinos. -1ª
edição. Editora Atheneu, São Paulo,
Brasil, 1999.
Turibio Leite de Barros Neto - Exercício, Saúde
e Desempenho Físico. - 1ª edição.
Editora Atheneu, São Paulo, Brasil, 1997.
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