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Psiquiatria da Infância e da
Adolescência
Prof.
Dr. Francisco B. Assumpção Jr.
Pensar Psiquiatria da Infância e da Adolescência
significa pensar em um ser em desenvolvimento, com os fatores
pessoais constituindo em um dos lados de um triângulo,
cujo outro lado é constituído por fatores sócio-familiares.
Da confluência dos dois, constrói-se uma base,
representada pelo projeto terapêutico que tem por
finalidade não somente a remissão do quadro
diagnosticado, mas também a recuperação
do processo de desenvolvimento desse ser, para que se reinsira
em seu ambiente gradativamente e cresça de maneira a se
tornar um adulto saudável e integrado.
Quando foi criada a
Psiquiatria da Infância e da Adolescência?
Existe uma política
de saúde para a Psiquiatria da Infância e da
Adolescência no Brasil?
Qual a importância
da Saúde Mental da população infantil?
Quais são as
características e doenças psiquiátricas
da criança no primeiro ano de vida?
Como é o
desenvolvimento mental da criança na fase pré-escolar?
Quais são as
patologias na idade pré-escolar?
Como é a
evolução da criança na idade escolar?
Como detectar as
patologias psiquiátricas na idade escolar?
Quais as patologias
psiquiátricas na adolescência?
Como diagnosticar
e tratar as doenças mentais na criança e no
adolescente?
Quando foi criada a Psiquiatria da Infância e da
Adolescência?
A Psiquiatria da Infância e da Adolescência é
uma especialidade bastante recente, tendo se firmado, a nível
mundial, em 1938, quando foi instalada sua primeira cátedra
na Universidade de Paris, dirigida pelo Prof. G. Heuyer.
[sobe]
Existe uma política
de saúde para a Psiquiatria da Infância e da
Adolescência no Brasil?
No Brasil, apesar dos esforços pioneiros
de diferentes pessoas, a Psiquiatria da Infância e da
Adolescência ainda se apresenta de maneira incipiente, o
que ocasiona imensas dificuldades no atendimento à
criança portadora de quadros psiquiátricos.
Em uma primeira consideração,
problemas psiquiátricos parecem ser de pouca importância
para a população infantil. Provavelmente, essa é
uma das razões que faz com que não tenhamos, em
nosso país, uma política definida de Saúde
Mental Infantil o que provoca um círculo vicioso: os
problemas infantis não são diagnosticados e,
quando o são, as dificuldades para o seu tratamento são
imensas.
Paralelamente, o descaso e a ausência de
interesse por parte da sociedade faz com que poucos
profissionais se interessem pela área, dificultando
mais ainda esse atendimento.
Enquanto os Estados Unidos contam com cerca de
6.000 profissionais ligados à Psiquiatria da Infância
e da Adolescência, número considerado insatisfatório,
nós contamos com menos de 200, concentrados, em sua
maior parte, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro,
Minas Gerais e Rio Grande do Sul.
[sobe]
Qual a importância
da Saúde Mental da população infantil?
No Brasil, a freqüência dos quadros
dos distúrbios mentais mais importantes pode ser
considera alta.
Assim, imaginamos (uma vez que as estatísticas
específicas são inexistentes em nosso país),
a partir de dados colhidos em outros locais, números da
ordem de 5% para Retardo Mental, 5% para Transtornos de Déficit
de Atenção e Hiperatividade, 4% de Depressão
em adolescentes, 4:10.000 para quadros autísticos, e
assim sucessivamente. Podemos dizer que, ao menos
teoricamente, a Saúde Mental da população
Infantil deveria ser uma prioridade uma vez que implica em
perdas escolares, problemas de adaptação e de
conduta que se refletirão no desenvolvimento de sua
personalidade, ocasionando danos futuros a esse ser quando
adulto e à sociedade na qual ele se inserirá.
Pensar na criança em seu desenvolvimento
significa pensar no adulto futuro em seu processo adaptativo e
social.
[sobe]
Quais são as
características e doenças psiquiátricas
da criança no primeiro ano de vida?
Ao nascer, a criança apresenta reflexos
característicos à própria espécie,
que lhe permitem sobreviver e, gradativamente reagir aos estímulos
ambientais, construindo pouco a pouco o psiquismo infantil.
No primeiro ano de vida, ela passa de um ser
eminentemente reflexo para um ser que estabelece esquemas de
causalidade (um fato ocasiona uma conseqüência), de
persistência de objeto (um objeto continua existindo
mesmo com seu desaparecimento do campo visual) e outros. Dessa
maneira, passa de um ser indiferenciado para alguém com
gradativa consciência de si mesmo (inicialmente a partir
da noção de corporeidade), que se relaciona
socialmente primeiramente com a própria mãe
(socialização elementar), para posteriormente se
relacionar com a família e com a própria
sociedade (fato esse que ocorrerá bem mais tarde, lá
pelo segundo ou terceiro ano de vida).
Nesse momento, as patologias psiquiátricas
infantis refletem duas possibilidades. Ou lesões que
afetam diretamente o Sistema Nervoso Central, ocasionando
patologias graves, como Retardo Mental ou quadros autísticos,
ou reações ao próprio ambiente, como por
exemplo os quadros de hospitalismo em que a criança, na
ausência da mãe, retrai-se e isola-se,
desinteressando-se por tudo que a cerca.
[sobe]
Como é o
desenvolvimento mental da criança na fase pré-escolar?
Por volta dos dois anos de idade, a criança
adquire a capacidade de utilização de símbolos
que permite, por exemplo, a resolução de
problemas em ausência concreta dele, ou seja, a criança
começa a desenvolver mentalmente os passos necessários
para a solução da questão proposta.
Paralelamente, desenvolvem-se também os
processos de memória, que nessa fase não mais
necessitam de estímulos externos e podem ser acessados
voluntariamente pela criança, de pensamento e de
linguagem oral, inserindo-a de forma mais adequada no contexto
social que lhe rodeia.
Nesta fase, a criança inicia a construção
de sua identidade sexual bem como do papel sexual a ela implícita,
de padrões morais copiados do próprio adulto.
Adquire também a capacidade de organizar jogos simbólicos
que lhe permitem brincar com outras pessoas e de começar
a representar graficamente seu próprio mundo a partir
daquilo que sabe sobre ele.
[sobe]
Quais são as
patologias na idade pré-escolar?
Nesse momento, algumas patologias podem ser bem
identificadas, como os quadros depressivos que, no pré-escolar,
tem uma prevalência de cerca de 0,9%, quadros ansiosos
como a ansiedade de separação.
Os transtornos de déficit de atenção
e hiperatividade que, mesmo sendo mais facilmente visualizados
na etapa posterior de desenvolvimento já podem estar
presentes aqui.
Quadros graves, como autismo e retardo mental,
mesmo aparecendo já na etapa anterior, são mais
facilmente identificados neste período pois já
se espera da criança maior desempenho e sociabilidade.
[sobe]
Como é a evolução
da criança na idade escolar?
Aos sete anos, o padrão de pensamento da
criança altera-se. Ela passa a utilizar hipóteses
que lhe permite avaliar melhor o seu mundo, checando-o e
assim, construindo-o de forma mais próxima à
realidade.
Inicia-se, então, a construção
de uma moral autônoma, a partir do questionamento do
mundo adulto, representado por pais e professores e pela relação
com outras crianças.
Estabelecem-se regras definidas e fixas, que
também se estruturam nos jogos, que servirão de
base para os relacionamentos sociais. Esses jogos começarão
a se manifestar enquanto jogos de construção nos
quais a criança, ao brincar, desenvolve e estimula a própria
criatividade dentro de um contexto de realidade mais exato. A
mesma característica pode ser observada também
no desenho, que passa a representar de maneira cada vez mais
exata a própria realidade, prendendo-se em aspectos
formais.
Categorias físicas como espaço,
tempo, peso, massa, formas, volume, são cada vez mais
estruturadas, permitindo-lhe uma visão de mundo
bastante precisa e concreta.
[sobe]
Como detectar as
patologias psiquiátricas na idade escolar?
A partir dos sete anos, as patologias são
detectadas principalmente em função do
rendimento escolar com os transtornos de aprendizado,
acompanhados pelos transtornos de déficit de atenção
e hiperatividade (com prevalência ao redor de 2% nessa
faixa etária), pelos retardos mentais (percebidos com
freqüência nesse momento em função da
não correspondência aos programas educacionais) e
pelos demais quadros psiquiátricos como depressões,
manias, quadros ansiosos como pânico, transtornos
obsessivos e tantos outros passíveis de cuidados e
acompanhamento.
[sobe]
Quais as patologias
psiquiátricas na adolescência?
A entrada na adolescência traz mudanças
significativas no processo de pensamento desse ser.
Ele passa a se valer de pensamento abstrato que
lhe proporciona a possibilidade de estabelecer hipóteses
sobre fatos imaginários, o que lhe permite avaliar e
escolher possibilidades. Assim surge sua crise decorrente da
sua liberdade e da responsabilidade. Com ela e a estruturação
do psiquismo, significados passam a ser estabelecidos e as
patologias psiquiátricas tomam uma forma mais
semelhante àquela do adulto, com o aparecimento dos
quadros delirantes e alucinatórios, depressões e
tentativas de suicídio, quadros delinqüenciais e
tantas outras patologias de importância fundamental.
[sobe]
Como diagnosticar e
tratar as doenças mentais na criança e no
adolescente?
Um diagnóstico, para ser estabelecido,
depende de conhecimento do próprio desenvolvimento da
criança, bem como de uma abordagem especializada e
multidimensional o que, em nosso meio carente e pouco
interessado, é de extrema dificuldade.
Além de uma abordagem psicofarmacológica,
hoje de extrema importância no tratamento das doenças
mentais da infância e da adolescência,
necessita-se também de abordagens psicoterápicas,
uma vez que a criança enquanto ser em evolução,
está em processo de desenvolvimento e, com o
aparecimento dos quadros de distúrbios mentais, constrói
sua identidade de maneira deficitária.
Nesse contexto, o suporte familiar é
indispensável, uma vez que essa família será
o fator de contenção afetiva necessário
para que a terapêutica se mostre eficaz.
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