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| O sistema imune ajuda a prevenir
tumores |
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| Fonte: Nature, 25/04/2001 |
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Pesquisadores obtiveram a primeira prova
conclusiva de que o sistema imune ajuda a prevenir a formação
de tumores. Descobriu-se que os linfócitos, células
sangüíneas brancas, e uma proteína
produzida pelo sistema imune trabalham juntas para encontrar e
eliminar as células com tumor.
A pesquisa foi publicada na edição
de 26 de abril da revista Nature. Robert D. Schreiber,
Ph.D., professor de microbiologia da Escola de Medicina da
Universidade de Washington, St. Louis, é o autor do
estudo.
Como o sistema imune protege o corpo contra
infecções, os cientistas certa vez previram que
também protegesse contra células de tumor. Porém,
vários estudos da década de 70 indicaram que
camundongos sem linfócitos não desenvolviam mais
tumores espontâneos ou quimicamente induzidos do que
camundongos normais. Assim, a teoria do sistema imune foi
abandonada.
Contudo, estudos subseqüentes revelaram
que os camundongos sem linfócitos não estavam
completamente livres dos mesmos, não representando,
portanto, um modelo de formação de tumor no
contexto de sistema imune debilitado. Recentemente, Schreiber
e seus colaboradores descobriram que tanto os linfócitos
como a proteína gama interferon (IFNg) podem ter papel
importante na prevenção de tumores.
No estudo atual, foi utilizada uma linhagem
de camundongos que realmente não apresentavam linfócitos.
Isso foi conseguido pela desativação de um gene
linfócito-específico denominado RAG2. Quando os
camundongos receberam o carcinogênico MCA, 58%
desenvolveram tumores.
Quando camundongos gerados com dois genes não-funcionais
recebiam o MCA, 72% desenvolviam tumor, o que sugeria que os
receptores para RAG2 e IFNg têm papéis
complementares.
"A IFNg expõe as células
de tumor ao sistema imune. Após visualizar as proteínas
anormais na célula de tumor, os linfócitos
eliminam a célula", explica Schreiber.
O grupo também determinou se três
grupos de camundongos - normais, deficientes em RAG2 e
deficientes tanto em RAG2 como em Stat1 (para IFNg) -
desenvolviam tumores espontaneamente, sem exposição
ao carcinogênico. Após 15 meses, 2 dos 11
camundongos normais apresentaram tumores não-cancerosos
e o resto era saudável. Por outro lado, todos os
camundongos deficientes em RAG2 apresentaram tumores, metade
cancerosos. Curiosamente, todos os camundongos que não
apresentavam o RAG2 e o Stat1 desenvolveram tumores
cancerosos.
Os pesquisadores concluíram que,
embora os papéis dos linfócitos e da IFNg se
sobreponham, a IFNg também pode prevenir a formação
do tumor por mecanismos que não envolvem o sistema
imune.
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