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| Genoma do antraz pode conter
novas pistas sobre sua infecção |
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| Fonte: Science, 16/11/2001 |
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O genoma completo do antraz - aguardado para os próximos
meses - poderá trazer novas pistas que ajudarão
a explicar o que faz sua infecção ser tão
fatal e qual a melhor forma de enfrentar diferentes cepas
dessa bactéria, segundo reporta a pesquisadora Kathryn
Beauregard na edição online do periódico
Science. Beauregard, da Universidade de Emory, examina
o que as informações genéticas disponíveis
hoje nos revelam sobre o antraz e mostra como pesquisas genômicas
básicas podem melhorar a identificação e
prevenção e levar a novas terapias.
"A conclusão da seqüência genômica
doBacillus anthracis facilitará os estudos da
virulência, epidemiologia e fisiologia desse organismo,"
afirma a autora.
Bactérias relacionadas com a espécie do antraz
carregam genes codificados em plasmídeos, moléculas
circulares feitas de DNA que se replicam independentemente dos
cromossomos bacterianos regulares. Genes de toxinas de um
suposto parente do antraz, o Bacillus
thringiensi, produtor de inseticida, estão
localizados nos plasmídeos. Os fatores virulentos da
bactéria causadora do antraz também se localizam
na mesma região no B. anthracis.
Até agora, as impressões genéticas de
dois plasmídeos do antraz foram seqüenciadas: pXO1
and pXO2.
O primeiro plasmídeo codifica três partes da
toxina mais responsável pelos danos causados ao
hospedeiro, e a segunda codifica a resistência à
toxina. O plasmídeo pXO1 contém uma "ilha
de patogenicidade" formada por grandes regiões de
DNA que indicam que a virulência foi adquirida de
organismos não-relacionados. Essas ilhas contêm
44.800 nucleotídeos com os genes da toxina, seus
elementos reguladores e os genes de resposta germinativa.
A bactéria do antraz e outra espécies podem
ter realizado uma associação genética ou
transferido informações genéticas de umas
para as outras e quando certos genes se combinaram em um único
genoma, "aparentemente fomentaram a mistura certa para
tornar o B. anthracis letal," afirmou Beauregard.
Outros fatores virulentos não-identificados podem
existir, afirmou a pesquisadora. O genoma completo de antraz
pode contar aos cientistas quais fatores foram (se é
que foram) perdidos em cepas atenuadas da bactéria
usadas como vacinas. Além disso, pode ajudar a analisar
a expressão genética do antraz e destacar os
genes e proteínas responsáveis pela doença.
O genoma também facilitará a identificação
de cepas específicas de antraz, sendo que o B.
anthracis é uma das espécies de bactérias
menos "variáveis" conhecidas. Isso significa
que a diferença de uma cepa para a outra se deve a uma
quantidade relativamente pequena de DNA. Os métodos
atuais de identificação do antraz envolvem a
identificação de fileiras de DNA chamadas VNTRs,
principalmente dos dois plasmídeos e de outros
fragmentos.
"A seqüência completa do genoma facilitará
a identificação e marcação de
VNTRs adicionais, além de tornar a identificação
da cepa mais precisa em pacientes e amostras," completa
Beauregard.
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