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Notícias Outubro de  2003

A rejeição realmente machuca
Fonte: Science, 10/10/03

Parece que duas áreas chaves do cérebro respondem à dor da rejeição da mesma maneira que respondem à dor física, relata uma equipe de psicólogos da University of Califórnia em Los Angeles (UCLA).

"Embora todos aceitem que a dor física seja real, as pessoas são tentadas a pensar que a dor social está apenas nas suas cabeças," disse Matthew D. Lieberman, um dos três autores do artigo e professor assistente de psicologia na UCLA. "Mas as dores física e social podem ser mais semelhantes do que imaginávamos."

Naomi I. Eisenberger, uma das autoras do artigo, e Liberman usaram imagem de ressonância magnética funcional (fMRI) para monitorarem a atividade cerebral em 13 universitários da UCLA enquanto esses estudantes jogavam um jogo de arremesso de bola no computador (cyberball) criado para provocar sentimentos de exclusão social.

No cyberball, duas figuras de computador são capazes de jogar uma bola virtual uma para a outra e para o jogador humano do jogo. Embora as atividades das figuras sejam completamente geradas por computador, os universitários foram levados a pensar que eles se correspondiam com outros alunos que jogavam de um outro lugar.

"É realmente o jogo mais chato que você pode imaginar, exceto quando uma das duas pessoas do computador pára de jogar a bola para o jogador real," disse Lieberman. Na primeira das três rodadas, os pesquisadores instruíram os estudantes da UCLA a somente assistir aos outros jogadores, já que as "dificuldades técnicas" os impediam a participar.

Na segunda rodada, os alunos foram incluídos em jogo de arremesso de bola, mas eles foram excluídos nos últimos ¾ da terceira rodada pelos outros jogadores. Embora os universitários tenham relatado posteriormente que se sentiram excluídos na terceira rodada, a fMRI revelou atividade elevada durante a primeira e segunda rodadas no cingulado anterior.

Localizado no centro do cérebro, o cingulado está envolvido na geração de experiências adversas da dor física. "Podemos dizer que ser excluído não importa, mas parece que a rejeição de qualquer tipo ainda se registra automaticamente no cérebro e o mecanismo parece ser semelhante à dor física," comenta Lieberman. Quando os estudantes se sentiram esnobados, a atividade do cingulado respondeu diretamente à angústia que eles relataram mais tarde terem sentido ao serem excluídos.

Os pesquisadores também detectaram níveis elevados de atividade em outra parte do cérebro - o córtex pré-frontal direito - mas, somente durante a terceira rodada do jogo. Localizado atrás da testa e dos olhos, o córtex pré-frontal está associado às emoções e ao autocontrole. "As pessoas que tiveram a maior parte das atividade no córtex pré-frontal tiveram a menor atividade no cingulado, nos fazendo pensar que uma área está inibindo a outra," acrescenta Lieberman.

Os psicólogos teorizam que a dor de ser rejeitado pode ter se desenvolvido por causa da importância dos elos sociais para a sobrevivência da maioria dos mamíferos. "Há 50.000 anos atrás, a distância social de um grupo poderia levá-lo à morte e ainda leva à morte a maioria dos mamíferos bebês," disse Lieberman. "Podemos ter desenvolvido uma sensibilidade a qualquer coisa que indique que estamos sendo excluídos. Esse alarme pode ser um sinal para que nós restabeleçamos os elos sociais antes que nos prejudiquemos."

"Essas descobertas mostram como nossa necessidade por relação social está enraizada profundamente." "Há alguma coisa sobre a exclusão dos outros que é observada como sendo tão prejudicial à nossa sobrevivência quanto alguma coisa que pode nos machucar fisicamente e o nosso corpo automaticamente sabe disso," comenta Eisenberger.


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