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| Estudo confirma os benefícios
da hemisferectomia |
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| Fonte: Neurology, 14/10/03 |
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Um novo estudo realizado pelos cientistas do Johns Hopkins
Children's Center confirma os benefícios duradouros da
hemisferectomia, uma intervenção cirúrgica
dramática na qual metade do cérebro é
removida para aliviar as convulsões graves freqüentes
que as medicações não conseguem
controlar.
Os resultados do estudo mostram que 86% das 111 crianças
que foram submetidas à hemisferectomia no Children's
Center entre 1975 e 2001 ou não têm convulsões
ou têm convulsões que não requerem medicação.
Esses resultados são um pouco melhores do que um
estudo realizado em 1997 pelo Hopkins com 58 pacientes
submetidos à hemisferectomia em que 78% das crianças
ou não tinham convulsões ou tinham convulsões
brandas.
As descobertas devem ajudar os pais que ainda estão
se decidindo se os seus filhos se beneficiariam com a
cirurgia, disse Eric Kossoff, principal autor do estudo e
epileptologista pediátrico do Children's Center. "Está
claro agora que a qualidade de vida das crianças com
convulsões crônicas e graves melhora imensamente
após a hemisferectomia," ele comenta.
"Em quase todos os casos, as crianças não
dependem mais das medicações múltiplas e,
após a operação, a maioria delas anda,
corre e vive a vida normalmente." Todos os pacientes com
hemisferectomia têm paralisias parciais no lado do corpo
oposto à parte removida.
Todavia, "exceto algumas das crianças com as
maiores complicações pós-operação,
tais como meningite e edema, todas as outras que acompanhamos
estão bem e a maioria se adaptou tão bem à
desvantagem de ter só um lado do cérebro que
elas tocam piano, jogam golf, ping-pong e dançam,"
acrescenta Kossoff.
No último estudo, os pesquisadores da Hopkins
revisaram os gráficos e entraram em contato com muitas
das famílias das 58 crianças que participaram do
estudo em 1997, assim como com as 53 outras crianças
que subseqüentemente realizaram a hemisferectomia no
Hopkins.
Eles descobriram que 65% não têm convulsões,
21% têm convulsões ocasionais não
incapacitantes e 14% têm convulsões problemáticas.
80% dos pacientes não usam mais drogas ou estão
tomando somente uma medicação anti-convulsão.
Os pesquisadores dizem que os pacientes com a síndrome
de Rasmussen, um distúrbio do sistema nervoso raro
caracterizado por inflamação crônica do cérebro
e aqueles com danos vasculares congênitos os que mais se
beneficiam com a hemisferectomia. 65% dos pacientes com
Rasmussen e 81% dos pacientes com danos vasculares agora não
têm mais convulsões.
Embora as crianças com distúrbios causados
pelo desenvolvimento cerebral (displasias) tenham 100% de
chance de não terem mais convulsões após
a cirurgia, mesma aquelas com convulsões persistentes
depois da cirurgia têm uma redução no número
de convulsões, disse Kossoff.
A cirurgia, que deixa intacta as estruturas profundas do cérebro
(o tálamo, tronco cerebral e os gânglios basais),
é realizada no Hopkins nas crianças com síndrome
de Rasmussen, uma variedade de anormalidades desenvolventes em
um lado do cérebro e naquelas que apresentaram derrames
incapacitantes.
Uma vez que o cérebro das crianças são "plásticos",
se os cirurgiões removem a porção afetada
do cérebro, a porção remanescente se
apossa da maior parte das funções do lado
retirado.
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