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| Nutrição pré-natal
deficiente danifica função de células
produtoras de insulina |
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| Fonte: Diabetes, 01/03/2005 |
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Cientistas do Centro de Diabetes Joslin descobriram uma razão
pela qual crianças com baixo peso ao nascer têm
um potencial maior de desenvolver diabetes do tipo 2 mais
tarde na vida. Em estudos com camundongos, os pesquisadores
descobriram que uma nutrição pré-natal
insatisfatória prejudica a habilidade do pâncreas
de secretar mais tarde insulina suficiente em resposta à
glicose sangüínea.
"A questão básica é que se você
não fornece nutrientes suficientes da mãe para o
bebê, as células pancreáticas do bebê
serão programadas anormalmente", disse a
pesquisadora principal Mary-Elizabeth Patti, M.D. "O
efeito aparece somente mais tarde, geralmente na adolescência
ou idade adulta".
"Muitas pessoas acreditam que não há
muito problema de nutrição pré-natal nos
Estados Unidos. Mas nutrição deficiente de um
bebê em desenvolvimento pode ocorrer de várias
outras maneiras diferentes da nutrição
inadequada da mãe. Pode ocorrer também com o
desenvolvimento anormal da placenta e seus vasos sangüíneos,
ou pressão sangüínea alta, com vasos
danificados." Além do mais, muitos outros fatores
podem resultar na restrição do crescimento
intra-uterino e baixo peso de nascimento.
O estudo da Joslin, reforça o que os cientistas já
sabem de estudos anteriores em humanos. Bebês com peso
baixo ao nascer tem um risco maior para desenvolver diabetes
do tipo 2.
Para entender a razão, os pesquisadores planejaram
uma série de experimentos. Usando camundongos fêmeas
comuns grávidas, os pesquisadores dataram o dia da
gestação delas, que dura três semanas.
Eles separaram as mães em dois grupos. O grupo de
controle ingeriu mais alimento do que elas queriam durante
toda a gestação. O outro grupo também foi
completamente nutrido durante as duas primeiras semana, mas
desnutrido durante a terceira semana, restrito a apenas metade
da porção. Isso teve um efeito dramático.
No nascimento, esses bebês pesavam 23% menos que os do
grupo de controle.
Depois do parto, todos os bebês foram cuidados e
todas as mães ingeriram uma dieta normal. "Até
os bebês serem desmamados, em três semanas, o
grupo com baixo peso de nascimento tinha alcançado os
outros, uma coisa que nós observamos em bebês
humanos também," disse Dra. Patti. "Eles
aparentavam e agiam igual. Não havia nada aparentemente
diferente entre eles". Os dois grupos da prole ingeriram
a mesma dieta alimentar, mantiveram um peso similar, e nenhum
grupo foi permitido vir a ficar acima do peso, eliminando esse
fator de risco comum para a diabete. A única diferença
foi que as mães tiveram que ser alimentadas
diferentemente durante a semana final.
Quando os ratos jovens amadureceram, os pesquisadores
testaram sua glicose (açúcar) no sangue depois
das refeições. Na idade de dois meses, os
resultados foram similares entre os dois grupos. Mas depois,
as diferenças começaram a se revelar. Aos 4
meses de idade (correspondente à adolescência
humana), os bebês com peso baixo ao nascer começaram
a mostrar níveis maiores de glicose no sangue. "Com
6 meses, esses níveis atingiram um pico anormal, 500
mg/dl- o equivalente a uma diabete séria em humanos,"
disse Dra. Patti.
Na diabetes do tipo 1, o pâncreas não pode
produzir o hormônio insulina sob qualquer condição;
cerca de 1 milhão de americanos têm que controlar
essa forma de diabete tomando injeções de
insulina. No tipo 2- uma desordem afetando cerca de 18 milhões
de americanos-o pâncreas não produz insulina
suficiente ou as células do corpo desenvolvem uma
resistência a seus efeitos. Sem insulina, a glicose não
pode entrar dentro das células e fornecer energia.
Normalmente, os níveis de insulina sobem ou descem em
resposta aos níveis de glicose, conservando um equilíbrio.
Mas diabetes é uma doença metabólica
complexa com diversos fatores em jogo, tais como glicose sangüínea,
colesterol e outros lipídeos. "O desafio é
imaginar quais fatores são as causas principais da
diabete e quais são as conseqüências. No
nosso estudo, nós precisamos descobrir o que estava
acontecendo com estes ratos, antes deles terem o problema."
Seus níveis de insulina providenciaram um indício.
Nos ratos subnutrido pré-natalmente, a secreção
de insulina permaneceu a mesma, indiferente do nível de
glicose na circulação sangüínea. "Isso
nos surpreendeu. O problema não foi a resistência
a insulina. Teve algo a ver com a secreção da
insulina." Em contraste, bebês que nasceram acima
do peso têm risco maior de resistência a insulina,
não um problema de secreção.
Os pesquisadores não encontraram diferenças no
tamanho do pâncreas ou no número de células
beta pancreáticas, que produzem insulina.
Mas culturas de células beta revelaram a resposta: o
rato subnutrido tem uma maneira anormal de responder à
glicose. "Eles foram de algum modo 'programados' para
secretar uma quantidade limitada de insulina mais tarde na
vida, não importando qual fosse o sinal da glicose. O
prejuízo foi permanente. Não pôde ser
corrigido nem quando o corpo alcançou o peso normal."
Como os estudos com camundongos são geralmente bons
prognosticadores da biologia humana, o estudo de Joslin tem
implicações importantes. "Pessoas e seus médicos
precisam entender que subnutrição pré-natal
deixa a pessoa permanentemente com risco alto de desenvolver
diabetes, então cuidado pré-natal é
importante," disse Dra. Patti. "Além do mais,
se alguém nasceu com peso baixo, ele precisa prestar
uma atenção especial a táticas de prevenção,
incluindo exercício e controle de peso para minimizar a
resistência de insulina - o outro fator principal
envolvido na causa de diabetes do tipo 2.
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