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Porque os antidepressivos não
funcionam para todos |
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Neurosciense 2009, 27/10/2009 |
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Mais de a metade das pessoas que tomam antidepressivos nunca
conseguem alívio dos sintomas. A razão pode
estar na supersimplificação da depressão
e no alvo errado utilizado para desenvolver os medicamentos.
Um estudo realizado no laboratório da pesquisadora
Eva Redei parece derrubar duas convicções sobre
a depressão: que eventos estressantes sejam uma das
principais causas para a depressão e que um desequilíbrio
nos neurotransmissores no cérebro desencadeiem sintomas
depressivos. Ambas convicções são
importantes porque serviram de base para o desenvolvimento de
medicamentos utilizados para tratar a depressão.
Dra. Redei, da Northwestern's Feinberg School, encontrou
evidências moleculares poderosas que derrubam o dogma de
que o estresse é geralmente uma causa importante para a
depressão. Sua pesquisa revela que quase não
existe superposição entre os genes relacionados
com o estresse e aqueles relacionados com a depressão.
Segundo Dra. Redei, esta pesquisa abre novas rotas para o
desenvolvimento de novos antidepressivos que podem ser mais
efetivos. De acordo com a pesquisadora, há 20 anos que
não existe uma novidade na área de
antidepressivos baseada em um novo conceito.
Suas descobertas baseiam-se em estudos com um modelo de rato
gravemente deprimido que reflete várias anormalidades
fisiológicas e comportamentais encontradas em pacientes
com depressão maior.
A pesquisadora descobriu aproximadamente 254 genes
relacionados ao estresse e 1.275 genes relacionados à
depressão, com uma superposição de apenas
5 genes entre os dois.
Segundo a Dra. Redei, uma outra razão para os
antidepressivos serem inefetivos reside no fato que eles
buscam elevar o nível de neurotransmissores, baseado na
explanação molecular para depressão, ou
seja, que ela resulta dos baixos níveis dos
neurotransmissores serotonina, norepinefrina e dopamina mas
que, segundo a pesquisadora, este conceito está errado.
A Dra. Redei encontrou fortes indicações que a
depressão começa muito além da cadeia de
eventos no cérebro. Os eventos bioquímicos que
resultam na depressão começam no desenvolvimento
e funcionamento dos neurônios.
As medicações têm interagido sobre os
efeitos e não sobre as causas, afirma ela. Por isso é
que demora tanto tempo para ter efeito em alguns e não
surtir efeito em muitas pessoas.
O modelo animal da depressão não mostra
grandes diferenças nos genes que controlam as funções
dos neurotransmissores. Se a depressão estivesse
associada à atividade dos neurotransmissores, nós
poderíamos tê-la visualizada, completou.

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