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Ibuprofeno pode reduzir risco de
desenvolver a doença de Parkinson |
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Neurology, 08/03/2011 |
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Um novo estudo da Harvard School of Public Health (HSPH)
mostra que os adultos que tomam regularmente o ibuprofeno, um
medicamento anti-inflamatório não esteróide
(AINE), têm um risco menor de desenvolver a doença
de Parkinson do que os não usuários.
"Não há cura para a doença de
Parkinson, por isso a ideia de que o ibuprofeno, um
medicamento já existente e relativamente não tóxico,
possa ajudar a proteger contra a doença é
apaixonante", disse o autor sênior Alberto
Ascherio, professor de epidemiologia e nutrição
na HSPH.
A doença de Parkinson, uma doença neurológica
progressiva que ocorre geralmente após os 50 anos,
afeta pelo menos meio milhão de americanos, de acordo
com o Instituto Nacional de Distúrbios Neurológicos
e Derrame. Cerca de 50.000 novos casos são reportados a
cada ano, e esse número deverá aumentar com o
envelhecimento da população dos EUA.
Supõe-se que o ibuprofeno possa reduzir a inflamação
no cérebro que possivelmente contribui para a doença.
Estudos anteriores mostraram um risco reduzido de doença
de Parkinson entre os usuários de anti-inflamatórios
não esteróides, mas a maioria não fez
distinção entre o ibuprofeno e outros AINEs.
Neste estudo, Ascherio, o autor principal Xiang Gao,
cientista pesquisador da HSPH, e colegas analisaram dados de
quase 99.000 mulheres inscritas no "Brigham and Women's
Hospital-based Nurses' Health Study" e mais de 37.000
homens participantes do "Health Professionals Follow-Up
Study".
Os pesquisadores identificaram 291 casos (156 homens e 135
mulheres) de doença de Parkinson durante os seis anos
de acompanhamento (1998-2004 nas mulheres; 2000-2006 em
homens). Com base em questionários, foi analisado o uso
de ibuprofeno (ex.: Advil, Motrin, Nuprin), aspirina ou
produtos que contenham aspirina, outros analgésicos
anti-inflamatórios (ex.: Aleve, Naprosyn) e paracetamol
(ex.: Tylenol). Embora o acetaminofeno não seja um
AINE, ele foi incluído porque é igualmente
utilizado para tratar a dor. Idade, tabagismo, dieta, cafeína
e outras variáveis também foram consideradas.
"Observamos que os homens e mulheres que usaram o
ibuprofeno duas ou mais vezes por semana tiveram uma
probabilidade 38% menor de desenvolver a doença de
Parkinson do que aqueles que usavam regularmente paracetamol,
aspirina ou outros AINEs", disse Gao. "Nossos
resultados sugerem que o ibuprofeno pode ser um possível
agente neuroprotetor contra a doença de Parkinson, porém,
o mecanismo exato é desconhecido."
Essas descobertas aumentam a esperança de que uma
droga já disponível e de baixo custo possa
ajudar a tratar a doença de Parkinson. "Devido à
perda de células cerebrais que leva à doença
de Parkinson ocorrer em uma década ou mais, uma possível
explicação para nossas descobertas é que
o uso do ibuprofeno protege essas células. Se assim
for, o uso do ibuprofeno pode ajudar a retardar a progressão
da doença", disse Gao .
Os resultados não significam que as pessoas que já
têm a doença de Parkinson devam começar a
tomar ibuprofeno, acrescentou Ascherio . "Embora seja
geralmente considerado segura, o ibuprofeno pode ter efeitos
colaterais, como aumento do risco de sangramento
gastrointestinal. Se esse risco é compensado por uma
redução da progressão da doença
deve ser investigado sob rigorosa supervisão de um
ensaio clínico randomizado", disse ele.
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